21 de agosto de 2016

Este blog é o meu muro das lamentações, não há como negar

Passei o Verão a achar que gostávamos um do outro e que dávamos a volta a isto.  Disse-te e estava piamente convicta que gostava de ti por ti, não uma ideia de ti, de um companheiro, de uma relação, de ti mesmo assim como és e de nós. Passei as férias a falar sueco na minha cabeça, a escrever em sueco nos papéis que encontrava para esvaziar a cabeça, com argumentos para trás e para a frente e aquela ondulação ciclónica de quem acredita e duvida e tem sono mas não dorme e não tem fome e diz que é do calor só para disfarçar. Senti-me forte por te dar o espaço que se pedia, coisa em que não acredito, a perceber mas a negar que a distância já era grande e o caminho sem volta. 
Depois achei que ainda não tinha feito tudo, já fiz tanta coisa, podia fazer mais esta ou aquela, para me tranquilizar, para saber que fiz o que estava ao meu alcance. Mas está errado, essa seria eu a cometer os mesmos erros, a humilhar-me achando que é por amor, ou pelo amor que há-de vir. 
E ainda que juntos tenhamos sido os melhores de sempre, fomos mesmo tão bons, eu mereço alguém que goste de mim pelo que sou e queira ficar por isso, ou apesar disso, não sei como funciona. Tenho as minhas falhas que aceito, perdoo e estou disposta a trabalhar.  Mas mereço que me queiram como eu quero, e que desistir não seja a melhor das tentações. E então por isso sei que não, não somos assim tão bons, e não, não vamos chegar lá à frente muito à frente, olhar para trás e ver o caminho maravilhoso que percorremos. Não, procurar-te não é lutar, não falar não é desistir, esse foste tu; é que eu gosto de mim e tenho muitas coisas boas e às vezes esqueço-me e até o faria de bom grado para nos levar a bom porto, mas esse é o caminho errado.
E eu tenho de ler isto quando tiver muita pena pelo que não foi e lembrar-me que se calhar o que eu gostava era mesmo uma ideia de ti, de nós. Se fosse mesmo como achava, não estávamos aqui, e as minhas férias tinham sido tão boas quanto as tuas, quantos ainda estávamos juntos, e eu não tinha passado o tempo todo a querer que as minhas acabassem. Cada um tem de lutar pelo que acredita e se não acreditas em nós eu não posso acreditar pelos dois, nunca funciona assim e dessa maneira também não quero.

30 de maio de 2016

O flagelo de ser emigrante

Já levo 6 anos disto. 6 anos, 3 meses e 2 semanas, para ser mais exacta. Começam a faltar-me as palavras em português. Quando falo com os meus amigos portugueses meto sempre palavras suecas pelo meio pelo simples facto de não precisar de me esforçar para encontrar o termo certo. Mas ainda ontem estava a falar com os meus pais e não consegui dizer o que queria. Não era prova, não era campeonato, era tävling. E isso em português? Eles lá perceberam a ideia mas fiquei a remoer nas palavras até me lembrar, uma boa hora mais tarde, que o que queria mesmo mesmo dizer era competição, ou torneio, em sueco é a mesma palavra para tudo.
E eu sei que é ridículo porque aprendi a falar em Portugal e até não me saía mal em vocabulário e regras gramaticais, mas agora não. Cada vez falo pior e se isto continuar assim daqui a outros seis anos já não digo nada que faça sentido. O melhor é deixar-me ficar por aqui.

29 de maio de 2016

Coisas cá deles .17

Encontrar casa. 
Não sei se é lobby se é  (mau) planeamento, mas encontrar casa em qualquer sítio da Suécia é uma aventura.
A pior parte de mudar de trabalho/cidade é mesmo escontrar casa. As empresas de aluguer funcionam por sistema de pontos, o que implica estar em lista de espera há vários anos. Ora se uma pessoa muda para um sítio novo e inesperado claro que não está inscrita  em lista nenhuma. 
Já  tentei explicar este método aos meus amigos em Portugal mas é  altamente incompreensível. 
Enfim,  deram-me a dica de escrever carta aos senhorios (assim mesmo à  antiga, em papel, que e-mail não é a mesma coisa)  a apresentar-me e com uma foto minha. Que pessoas giras têm sempre prioridade. Só a ironia de acharem que isso se aplica a mim. Mas enfim, por tentar nunca ninguém morreu e quem sabe não tenho sorte. Preciso de casa a 1 de Setembro. As cartas estão lançadas. Assim mesmo, em trocadilho.

6 de maio de 2016

Para mais tarde recordar

Quando for  Outubro e os níveis  de esperança  estiverem na reserva quero recordar o dia de ontem. 5 de Maio e é  Verão  na Suécia. Dormi a noite  inteira e acordei nova, passeio na floresta  em t-shirt, as vitsippor todas em flor, o meu primeiro voo de parapente, churrasco na praia ao final  do dia. É  difícil  ser mais perfeito  que isto.

Tenho dormido muito mal

Pouca coisa me tira o sono, ir a cursos, viagens intercontinentais, países desconhecidos, ir para Portugal no dia seguinte ou voltar à Suécia, reuniões, tranquilo, durmo que nem um bebé.
Mas mudar de emprego e estar apaixonada está a dar cabo de mim. 

27 de fevereiro de 2016

Patagónia. Argentina

Eu já  sei  que a Patagónia  vai ser daqueles amores que nos conquistam devagarinho, ocupando  o seu espaço  como  se sempre  tivessem existido em nós. E será recordada  com  saudade e admiração.

26 de fevereiro de 2016

Como se eu tivesse 3 anos

Expliquem-me lá exatamente em que é que o cartaz de Jesus é muito diferente das caricaturas de Alá? É que eu estava em crer que éramos todos Charlie, pela liberdade de expressão a todo o custo mas afinal não, que não se pode usar o nome de Jesus em vão.  Sacrilégio, falta de respeito, mau gosto, sei lá que mais. Afinal somos mesmo todos iguais, nós e os nossos telhados de vidro.

6 de fevereiro de 2016

Escrever para não esquecer

Estava agora a almoçar  umas empanadas quando passa na televisão  uma notícia sobre windsurf em ondas gigantes, na Nazaré.  Estou em Buenos  Aires.
O mundo é  mesmo pequeno.

5 de fevereiro de 2016

A caminho .2

Sou uma velha muito velha, não há como negar. Eu daqui a nada páro com esta série  de posts até porque fico sem internet. Adiante.

Estou sentada  no aeroporto e ouço  um rapaz  três filas atrás a mastigar amendoins de boca aberta. Um aeroporto não é tão silencioso como uma igreja. Até tive de me virar para ver o que era aquilo. A sério, existe mastigar de boca aberta e depois existe este rapaz que está  numa escala  muito extra.

A caminho

A miúda  que vem sentada ao meu lado está  a pintar-se como uma profissional.  Pôs  o iPad em modo espelho e aqui vai disto. Mas não é  uma sombra e um pouco de rimel. São várias  camadas e vários pincéis , e espalha na mão e põe  na cara. Cara, testa, pescoço.  Perfume. Escova do cabelo.  Eu estou  a escrever e ela nao pára  de sacar coisas da bolsa.
Isto não  é  uma crítica, acho fascinante quem tem um à vontade  assim. Eu nem para usar fio dentário  na casa  de banho pública. 
E agora sacou do pó  bronzeador. Não  tem fim. Aposto que ela  só  sai em Estocolmo  que é  daqui a 40 minutos.
E eu vou publicar este texto e ela continua.  Agora  nas sobrancelhas.

30 de janeiro de 2016

Tirando isso, nunca me preocupo com roupa

Por força das circunstâncias estou mais que habituada a fazer malas, normalmente na noite anterior e em menos de meia hora despacho tudo e quase nunca me esqueço de nada. Já lá vai o tempo em que pela alegria de ir a qualquer lado deixava a mala pronta com uma semana de antecedência, ali no hall de entrada para me alegrar as chegadas a casa. Mas adiante, para a semana vou à Patagónia e estou com muitas dificuldades em escolher roupa. Não é meramente uma indecisão fashionista, diz que precisamos de roupas funcionais para caminhada, óculos de sol, gorro, boné, calças impermeáveis, protetor solar, calções, t-shirt, camisola polar. De tudo um pouco na inteira extensão das roupas sazonais. Enfim, eu tenho uma coisa de cada, mas e se não levo mesmo aquilo que é preciso, e se depois a roupa não seca? E se tenho calor? E se chover o tempo todo e não tenho coisas impermeáveis que chegue?
Eu sei, tudo problemas reais e de extrema importância.

29 de janeiro de 2016

Quanto é que acreditamos nessas coisas?

Hoje logo pela manhã parti um espelho duplo. 
7? 7+7? Ou a teoria de um amigo que só pode significar novos começos?

12 de janeiro de 2016

E a ti, o que é que te aconteceu ontem?

Hoje tive um paciente sírio que veio acompanhar os filhos trigémeos à consulta. Fugiu há quatro anos da Síria, vive na Suécia há três. A irmã com os seus quatro filhos e marido continuam lá.
Ontem caiu uma bomba no apartamento onde vivem, as duas filhas mais velhas, 18 e 20 anos, estavam na cozinha a fazer o jantar e morreram. Ontem.
Ao ouvir isto pergunto-me como é que mais alguma coisa importa. Uma pessoa queixa-se que é segunda e está cansada e neva tanto e sei lá que mais, mas algures no mundo alguém faz o jantar, cai uma bomba e o mundo desaba.

6 de janeiro de 2016

Eu sei que já vivi atrás do sol posto

Mas agora está  calor em Portugal e vou ter de voltar para a minha terra do norte onde as temperaturas  oscilam entre  -15 e -19. Não  estou preparada para isto.

4 de janeiro de 2016

Eu sei, não se julga um livro pela capa

E aquela mania de mudarem a capa dos livros para a imagem do filme quando são adaptados para cinema? 
Ainda não houve um que mudasse para melhor.

3 de janeiro de 2016

O flagelo da televisão nacional aos domingos à tarde

Mas ainda há terras não visitadas, cantores não ouvidos, segredos não desvendados, audiências para este formato?
É que são 6 horas, em dois canais em simultâneo, todos os domingos, fora o verão em que são todos os outros dias da semana também.
Filmes, séries, qualquer coisa interessante, anyone? 

2 de janeiro de 2016

1947

69 anos.
Passei  o dia de ano novo com os meus avós  maternos. Às  tantas o meu avô  vai buscar um livro que guardou desde os tempos de escola. A segunda edição  da Nau Catrineta, de 1947. Do tempo  em que os números  de telefone  só tinham três  dígitos. Tão  bem conservado. Foi como descobrir um tesouro.

1 de janeiro de 2016

Depois de hoje só pode ser a melhorar

2016 é ano bissexto. Parem de dizer que são 365 novas oportunidades e de postar frases manhosas com o mesmo rigor. São 366 dias e não se fala mais nisso.

27 de dezembro de 2015

Às vezes ouço/leio coisas e fico a pensar nelas anos a fio

Uma vez li numa entrevista a um escritor, já não me lembro quem mas era alguém cuja opinião valorizava, que quem usa advérbios de modo é porque não sabe escrever. Ainda estou a decidir se concordo ou não.

Também numa entrevista a alguém que não me lembro mas respeito, ouvi que temos sempre uma opinião sobre tudo senão somos burros, e desde aí sinto uma pressão enorme para ter as minhas ideias definidas. A sério, há coisas nas quais eu nunca pensei e sobre as quais não sei de que lado me encontro.

26 de dezembro de 2015

Já ando nisto há muitos anos

Lembram-se daquele ano em que a moda nos blogs foi fazer a lista do que se recebeu no Natal com respetivas fotografias?
Este ano parece-me que a grande tendência, não especificamente de bloggers, foi pôr fotos no facebook com quem se sentou à mesa na consoada.